Conheci alguém.
Conheci alguém que eu queria conhecer
Alguém que sorria, que vivia sem medo de mostrar os dentes
De abrir a boca
E que boca meus amigos.
Que deixava escapar em palavras sentimentos, sorrisos
Pedaços de quem ela é por inteiro
Inteiramente incrível, estonteante
Mas não minha
De ninguém, talvez arrisco dizer
Mas ainda assim de si mesma.
E a si mesma se deixou em mim
E eu, pobre amoroso que sou
Tentei recebe-la
Sem saber que era dela
Mesmo sendo meu. Não consegui ser de nenhum dos dois
Então por um tempo não fui nada
Apenas lembrança e remorso
Apenas vontade de ser
Vontade de ter
Tê-la.
Mas a vida ensina
Que há na perda vacina
Contra o desalento da própria.
Como um vírus
Que pelo tempo enfraquecido
Serve de remédio pra alma
Que aprende a deixar ir
E que talvez assim
Com certeza assim
Possa um dia ser feliz.
Mas dói deixar ir, não se engane
E a esperança da volta é o martírio principal
Que nos leva a crer que deixando ir, se volta
Mas o deixar é caminho sem volta, pra aquilo que aconteceu
Só assim para curar
O que vem pela frente é o novo
Que engana e desfaz da desesperança do acontecido
Nos mostrando que o futuro é brincalhão
Brinca de ser ausente, distante
Até que chega com o presente, latente, brilhante
Um dia
"Você, Eu, Dois filhos e um cachorro talvez
Ou não
Numa casa, num lago, distante, perto quem sabe
Mas felizes. Não importa quando. Ou quem.
Pensarás que é para ti, mas não
Também não para ti
Talvez para ti, sim.
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